Quando eu ia vir para os Estados Unidos muitas coisas vinha a minha cabeca: Como seriam os americanos, quanto tempo eu ia levar para conseguir dar uns beijos – isso demorou uma cara hehehheh – como eles vivem entre outras coisas. Coisa que nunca pensei era que o que mais me deixaria apaixonado por esta terra era o contato com o povo mexicano. Hoje vou contar a historia desse carinha ai que esta no meio da foto que atende pela alcunha de Chimel ou Manuel para os estranhos.
Trinta e dois anos de idade, tres filhos e uma esposa que por ele espera em Durango, México. Mas precisamente em Durango Durango que e uma zona rural de lah. Chimel esta aqui pela terceira vez. A primeira ficou dois anos, na segunda apenas oito messes. “ Yo no estava a gusto” dizia ele. E agora estah tentando de novo juntar uma grana.
“Estoy aqui para conseguir una casa para mi senhora e mi hijos. Vamanos ver se puedo guentar desta vez. Siempre que chego aqui sofro mutcho. Passo ambre, me quedo sem plata porque tengo que enviar para o México para dar o que comer a mi hijos” explica-se.
Quando vivia em Durango , Chimel trabalhava como plantador de mota, vulgo maconha. Doze horas por dia, fazendo de tudo que se faze em uma plantacao. Mas isso eh uma outra historia que prometo contar em breve para vocês.
Voltando ao inicio do texto ressalto ao fato de como o caminho de nossas vidas passa pelo de outras pessoas que nunca imaginávamos que existissem. Quando que eu no auge da minha arrogância tanto em Sao Paulo quanto em Floripa iria imaginar trabalhar com um cultivador de maconha? Sem contar o carinha da esquerda que hoje vende cocaina aqui na gringa. Mas hoje nao eh o dia de contar a historia do Hernesto. Voltando. Chimel passou toda sua vida morando nas montanhas de Durango, comendo tacos e tamales – uma espécie de pamonha – todos os dias, dormia no chão e seu banheiro era uma moita qualquer. Inclusive esse habito o persegue ate hoje pois mesmo morando no Green Park; Alabama ele sai do seu trailer que divide com mais 11 mexicanos e vai se aliviar no meio do mato. “Yo so no durmo en lo chao por que los weys que morom aia parecem macacos…deixam su pelos todos pelo chão” brinca chimel.
A cada dia aqui na América vivo uma experiência nova. Isso sim e faculdade.
